sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Destinos!

Sinto profundamente os teus cheiros, as tuas cores, as tuas gentes, os teus hábitos, o teu calor, e as memórias são a melhor companhia nos momentos nostálgicos.
Moçambique amado, que nunca esquecerei, por mais distante que eu esteja... nunca me esquecerei!
Carrego em mim a tristeza de te ter deixado, por razões mais fortes que eu...
Foi no inicio dos anos 90, na recessão da guerra nacional, o povo exausto, as ruas e avenidas da cidade repletas de rostos de crianças assustadas, procurando um bago de arroz para comer, a má governação poderá ter justificado a falta de informação sobre o mundo lá fora, parecia que a cidade e o país não tinham vontade de viver... o Índico estava triste, tantas lágrimas vi e derramei em ti. Nele navegavam intenções menos boas, a descoberta do caminho marítimo para a Índia e vice-versa, abriu tantos horizontes... em tempos chamaram às suas preciosidades "o ouro das índias", mas nos dias que correm chamaria à "nova" moeda a papoila da desgraça, certos habitantes do Paquistão eram os visitantes mais assíduos em Terras Laurentinas. Dinheiro fácil e vidas desgraçadas, surgiram que nem abutres atrás da carcaça em estado de decomposição!
Saciaste a tua sede e fome, tantas almas ficaram feridas, marcadas e outras partiram... por fraqueza, por ingenuidade, por maldade! Porquê!?
Parte de mim partiu, tão impotente me senti, tão culpada me senti, mas encontrei a paz e sei que tu também estás me paz!
Eu consegui vencer e provavelmente dar-me-ás o nome de Heroína! Mas sou e serei sempre modesta... pois, o que mais aprecio é poder estar aqui e por muitos mais anos. Agora que saboreei o milagre da natureza, quero acompanhar-vos até não mais conseguir respirar...
Foi como tivesse renascido! Até aos meus curtos 16 anos de vida o meu destino parecia pertencer a um determinado local, rodeada por aquelas caras, aqueles hábitos, aquelas cores, aqueles odores típicos, as aventuras, a inexistência de bolas de verdade, enfim... e de repente, acordo e estou num local do globo frio, metropolitano, observo pessoas a correrem de um lado para outro, onde não conheço ninguém e falam bem a língua de Camões, senti-me do tamanho de uma formiga. Entretanto fui conhecendo outras formigas, umas maiores outras menores, umas boas outras menos boas, é assim que se constroem as amizades, as raízes... afinal!? Xiiii... como foi difícil!
Mas foi e é bom, aprendi e aprendo muitas coisas, boas e más. As experiências servem-nos de exemplos e enriquecem-nos a sabedoria da vida! E o meu destino pertence ao universo...
Um obrigada e bem haja, a todos que caminharam e caminham comigo e com os meus mais que tudo!